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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Só faltou dizer que a nova Amarelinha é perfeita

Passam as copas, mas não muda a mentalidade do torcedor brasileiro: em time que está perdendo, deve-se mexer e muito. A verdadeira babação que se criou em torno da chamada Nova Seleção Brasileira, sob o comando de Mano Meneses, não passa de repetição, talvez amplificada, do que se passou logo depois de uma eliminação do Brasil nas 12 copas que não ganhamos. Talvez, a seleção de 1982 tenha sido exceção, tanto que o o treinador Telê Santana voltou a dirigir a Amarelinha quatro anos depois, no México. Mas, de derrota em derrota, a conversa é sempre a de que está tudo, mas tudo mesmo, errado e uma renovação é necessária.

Não foi diferente em 2006, logo depois do fiasco, já previsto por quem entende minimamente de futebol, da seleção sob o comando de Carlos Alberto Parreira. Quando Dunga iniciou seu trabalho, a esperança de uma nova seleção tomou conta de todos, a imprensa especialmente. Mesmo com a reserva pelo fato de Dunga jamais ter sido técnico de um time de várzea que fosse, havia o discurso quase unânime de que, por ser um jogador de grandes conquistas, por ter um título mundial na bagagem, o capitão do tetra faria um trabalho empolgante. E começou assim, com a convocação de inúmeros jogadores que não haviam sido chamados por Parreira, mas que o público e a mídia afirmavam que deveriam estar na seleção. O casamento não durou muito. A seleção não ia muito bem na primeira fase das eliminatórias para a Copa da África do Sul e as vaias ao time começaram a aparecer nos estádios. Mas a vitória na Copa América e na Copa das Confederações, somada à ótima campanha do Brasil na segunda fase das eliminatórias fizeram o torcedor voltar a confiar na seleção.

Quando a base da seleção para a Copa estava formada, depois do título da Copa das Confederações, apareceram os tais "Meninos da Vila" e a pressão pela convocação de Ganso e Neymar para a seleção foi enorme, até o dia da divulgação da lista final. Dunga não cedeu e preferiu apostar na base que havia montado. Já escrevi, quando da convocação, que Dunga acertou a mão ao não convocar os jovens talentos do Santos, em primeiro lugar porque nunca havia trabalhado com eles, portanto seria uma primeira convocação e diretamente para a Copa do Mundo. Em segundo lugar, porque a seleção já havia feito um trabalho de quatro anos e portanto tinha um esquema tático, que seria mudado caso os garotos fossem convocados. Fato é que Dunga acertou e errou (para mim, acertou mais do que errou) em sua passagem pela seleção. Talvez, alguns dos erros lhe tenham custado a Copa 2010, mas, insisto, a trajetória dele pela Amarelinha foi vitoriosa.

Agora, depois da eliminação contra a Holanda na África do Sul, a história se repete. É claro que eu esperava um certo ufanismo da parte dos responsáveis pela transmissão do jogo do Brasil contra os Estados Unidos, que aconteceu na noite dessa terça-feira. Mas confesso que fiquei surpreendido com o que assisti. À medida em que o jogo foi se desenrolando e a seleção venceu o nvervosismo inicial e começou a jogar bem, parecia que estávamos diante de um espetáculo jamais visto, tal era a intensidade e o tom dos elogios feitos ao time. Expressões como "resgate do futebol arte", "o jeito brasileiro de jogar", "uma nova Seleção Brasileira" etc., foram repetidas à exaustão.

Acabado o jogo, quando pensei que as análises viriam com um pouco mais de frieza e objetividade e com menos apaixonite, notei que o objetivo dos comentaristas e do narrador Luiz Carlos Junior, do SporTV, era convencer de que essa seleição que iniciou seu trabalho nesse amistoso é a seleção que o povo brasileiro, de quem a imprensa costuma se julgar porta-voz, desejava ver em campo. Logo no início da transmissão, o comentarista Paulo César Vasconcelos disse que a seleção era muito promissora, em primeiro lugar, porque tinha três jogadores do Santos. Então, se tivesse 22, ou seja, todos os titulares e reservas da Vila Belmiro, o time seria imbatível? Impressionante também como tudo que o treinador Mano Meneses fazia ou dizia estava correto, cheio de razão. Nos comentários finais, até mesmo o fato de o Brasil ter desperdiçado inúmeras oportunidades de gol, no segundo tempo, foi encarado como positivo pelos comentaristas. Afinal, diziam, foi uma equipe que não perdeu o ritmo de jogo na etapa complementar, manteve a pegada. Só não foi feliz na finalização.

Fato é que uma coisa é perder gols contra a seleção dos Estados Unidos que, mesmo tendo melhorado muito nos últimos anos, apresenta várias fragilidades. Outra coisa é perder gols contra uma seleção que, se tiver oportunidade, não perdoa. Será que, se o Brasil perder tantos gols contra a Espanha, não correremos o sério risco de tomarmos gols? Mas, tirando as críticas pelos constantes erros de passe do lateral Daniel Alves, o Brasil, na visão dos comentaristas do SporTV, parecia não ter defeitos. E mais, mesmo com a estreia de vários jogadores com a camisa da seleção, Neymar e Ganso eram os destaques citados. Nem mesmo Alexandre Pato, que fez um golaço e jogou uma excelente partida, mesmo tendo vindo de contusão, só foi elogiado pelo comentarista quando o narrador perguntou sobre a atuação do jogador.

Não estou aqui para dizer que a seleção que atuou diante dos Estados Unidos não merece elogios. Ao contrário, merece, tanto pelo futebol ofensivo que apresentou, quanto por não deixar de marcar, tanto que as jogadas ofensivas dos norte-americanos foram poucas. Mas é preciso mais cuidado ao analisar esse jogo do que tiveram os meus colegas do SporTV. Em primeiro lugar, porque uma seleção que treinou apenas por dois dias não tem como definir um esquema tático. Nenhum treinador, por mais mágico que seja, implanta uma filosofia de trabalho em dois dias. Portanto, dizer que essa seleção tem a cara do Mano Meneses é, no mínimo, precipitação e falta de conhecimento sobre futebol. Ora, se não há um esquema tático, o que deve fazer um técnico de bom senso? Interferir o mínimo possível na capacidade dos talentos individuais do time, ou seja, deixar o time jogar. E aí, claro, os talentosos se destacam.

No decorrer e depois do jogo, fiquei acompanhando as manifestações no Twitter, praticamente todas muito empolgadas, afirmando, dentre outras coisas, que os 45 minutos do primeiro tempo do amistoso valeram mais do que toda a Copa da África. Nada contra a manifestação das pessoas. Aliás, acho até muito positivo que o torcedor se identifique com a sua seleção. O torcedor é um apaixonado por excelênvia e é assim que deve agir sempre. Mas a imprensa, esta tem por obrigação informar e opinar, mas com informações embasadas. É por isso que considero lamentável o festival de frases prontas e repetitivas protagonizado pela equipe do SporTV. Deixem a missão de se apaixonar para o povo. Quanto ao time de Mano Meneses, vamos ver, daqui para frente, como os "Meninos da Vila" se saem debaixo de um rigoroso esquema tático que, certamente, Mano Meneses vai implementar no Brasil a partir de agora. Aguardemos, mas sem empolgação exagerada.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A voz da mídia é a voz do povo? (parte II)

Já que estamos falando de futebol, vou usar essa metáfora para dizer que o leitor André Carioca, que postou um comentário sobre a primeira parte desse artigo, pegou na veia, mandou no ângulo, enfim, acertou em cheio a respeito do que eu havia deixado para essa segunda parte. Ele foi exatamente na direção que eu vou tomar a partir daqui. Valeu André!

Como eu havia dito no post anterior, a razão principal do treinador para não ceder às pressões é o fato de que, venha bônus ou venha ônus, tudo vai cair sobre ele próprio, não sobre a imprensa ou sobre os supostos 190 milhões de técnicos de futebol que temos no país.

Mas não é só isso: a convocação de Dunga se sustenta ainda no princípio da coerência. Ao longo de quatro anos, o treinador foi experimentando daqui e dali na tentativa de construir uma equipe coesa e que jogasse segundo a sua filosofia de trabalho. Com raríssimas exceções, a seleção convocada para a Copa 2010 não difere das últimas equipes convocadas por Dunga. E os testes foram feitos. Ou ninguém se lembra que Wagner Love e Afonso já foram a dupla de ataque da seleção? Mas não se sustentaram e, na convocação para a Copa das Confederações, na África do Sul, o técnico fez talvez suas últimas experiências, para chegar a um time que tivesse, digamos, a sua cara.

Especificamente sobre Ganso e Neymar, há um outro ponto importantíssimo: eles estão acostumados a jogar no esquema tático do Santos de Dorival Junior que, convenhamos, é o mesmo que não ter esquema tático. O melhor que o treinador da Vila Belmiro faz pelos seus atletas é não atrapalhar, e isso ele tem feito muito bem, diga-se. No entanto, jogar pela seleção brasileira é uma realidade completamente diferente. Como inserir, de uma hora para outra, dois atletas que nunca atuaram pela seleção brasileira, que nunca jogaram sob o comando de Dunga, que não conhecem outra maneira de jogar que não seja a do time que os consagrou? Seria possível convocar, diretamente para o torneio mais importante do futebol mundial, atletas com tão pouca experiência? Eu não me arriscaria tanto. Mas a imprensa parece tratar copa do mundo como se fosse torneio de menor importância ou, piior, como se fosse uma sequência de amistosos. Não nos esqueçamos que a seleção não deve ter mais de 20 dias de preparação para a estréia no mundial, portanto a hora de fazer testes, experimentos, ensaios, já passou. Agora o que se precisa é de certeza, de uma equipe que entenda o que o técnico deseja sem que ele precise ficar desenhando 24 horas por dia.

Outro ponto levantado por alguns colegas da imprensa foi a comparação, a meu ver descabida, entre a convocação de Ronaldo em 1994 e essa reclamação em torno da não ida de Ganso e Neymar. Descabida por uma razão muito simples: a convocação para o mundial dos Estados Unidos não foi a primeira de Ronaldo para a seleção. Parreira já o havia testado em campo. Ainda assim, o Fenômeno ficou apenas no banco e nem mesmo na fatídica final contra a Itália, em que o jogo estava 0 a 0 na prorrogação, ele teve oportunidade de jogar. De mais a mais, o Ronaldo que jogava pelo Cruzeiro em 1994 era muito mais jogador do que Neymar na atualidade, até porque ele não tinha altos e baixos. Não nos esqueçamos que, no Brasileirão do ano passado, Neymar foi um jogador absolutamente apagado.

Outro aspecto que se coloca é a dicotomia entre o futebol arte e o futebol de resultados. Para mim, há que se buscar sempre associar as duas coisas, mas, se em algum momento uma delas tiver que sobressair, eu não tenho dúvidas sobre o que vou escolher. Afinal, a seleção de 1982 é considerada uma das melhores, senão a melhor, da história do futebol brasileiro. No entanto, voltou de mãos vazias. Por outro lado, o São Paulo venceu três vezes seguidas o campeonato brasileiro jogando feio, retrancado, lutando para não levar gols e vencendo por placares magros. Mas eu sou capaz de apostar que a torcida do São Paulo não ficou triste quando o título veio para as suas mãos. Convém lembrar que o enfoque na defesa não é exclusividade do futebol contemporâneo, mas do esporte coletivo contemporâneo. Não é por acaso que o voleibol valoriza cada vez mais o líbero, que o basquete dá uma importância capital aos bons reboteiros de defesa e que o beisebol valoriza mais os bons arremessadores, considerados jogadores de defesa, do que os bons rebatedores, que fazem parte do ataque.

Não estou com isso dizendo que concordo com a lista apresentada por Dunga. Eu teria outra lista e certamente cada brasileiro teria uma diferente da minha, que seria também diferente da do treinador. Mas eu acredito que a copa do mundo é um torneio de tal importância que não permite tiros no escuro. Se um sujeito, por mais cara fechada que seja, é escolhido para ser o técnico da seleção brasileira de futebol, cabe a ele a última palavra. Se seremos campeões, não posso afirmar, mas não há dúvida de que o retrospecto do Brasil sob o comando de Dunga é extremamente positivo. São 37 vitórias, dois títulos conquistados e uma seleção cada vez mais estável na sua maneira de jogar. Acho que temos grande chance de trazer o título. Mas, venha o que vier, Dunga será o responsável, e o melhor é que ele tem plena consciência disso.

A voz da mídia é a voz do povo?

Depois de assistir ao "Programa do Jô" desta noite, acho que posso tampar o balde que separei para recolher as lágrimas da choradeira aprontada pela imprensa, não pela seleção que o técnico Dunga convocou, mas pela que ele deixou de convocar. Se bem que o primeiro jornal em TV aberta do dia começa às 4h, no SBT, e certamente a choradeira vai voltar com força total. A conversa de camaradas entre Jô Soares e o ator Dan Stulbach, que, segundo o apresentador, foi chamado para a entrevista por ser um apaixonado e entendido de futebol, foi uma das melhores mostras do que aconteceu durante todo o dia, de telejornal em telejornal, de comentário em comentário. Afinal, por que o treinador da seleção decidiu não levar Paulo Henrique Ganso e Neymar? E quanto a Adriano e Ronaldinho Gaúcho? Será que é teimosia pura, apenas para não fazer a suposta vontade de todo o povo brasileiro? Será que Dunga deseja criar uma família no bom estilo Felipão e fazer a coisa do jeito dele, sem ouvir ninguém?

Se existe uma coisa difícil é entrar na mente de um técnico de futebol, mais ainda no caso de um treinador de seleção, que tem ao seu dispor uma quantidade muito maior de grandes talentos, o que, infelizmente, nem sempre acontece nos clubes. Entender portanto as razões que levaram Dunga a convocar o jogador X e não o jogador Y, é um desafio que nem mesmo os grandes especialistas devem enfrentar. Se tentarem, será puro exercício de psicologia de botequim. Eu, que não sou entendedor de futebol como Dan Stulbach e Jô Soares, mas sou apaixonado por esse esporte, posso dizer com certeza uma coisa, ou antes, dar uma opinião muito convicta: Dunga já deu o primeiro passo para quem quer ser campeão do mundo ao ignorar as pressões da imprensa e convocar a seleção pelo seu único e exclusivo julgamento.

Quem assistiu aos programas esportivos do fim de semana deve ter reparado que a pergunta reinante era se os chamados "meninos da vila" seriam convocados para a seleção. No encerramento da transmissão do GP da Espanha de F-1, o narrador Galvão Bueno chegou a pedir que Deus iluminasse a mente de Dunga. E emendou a seguir: "Será que Ganso e Neymar serão convocados?", deixando a entender que Deus iluminar a mente de Dunga seria o mesmo que inspirá-lo a convocar os dois jogadores. Ou seja, Galvão Bueno estava tentando ensinar Deus a ser Deus e Dunga a ser técnico da seleção brasileira.

Toda essa ladainha (e me perdoem os católicos pelo uso da expressão) em torno da seleção convocada e da que deveria ter sido convocada me remete à choradeira que se criou em 2002, na tentativa de pressionar o técnico Luiz Felipe Scolari a levar o atacante Romário para o mundial do Japão e Coréia. O jogador chegou a derramar lágrimas diante das câmeras para sensibilizar o treinador. Teve apoio da TV Globo e da imprensa, especialmente do Rio de Janeiro e o que se comenta é que até mesmo a direção da CBF tentou pressionar Felipão. Para mim, os motivos que levaram Scolari a não ceder foram os mesmos que hoje levam Dunga a deixar de fora jogadores que, na verdade, são muito mais os queridinhos da mídia, sobretudo paulista, do que do povo brasileiro, como a própria mídia tenta fazer crer. Se o Brasil perdesse a copa de 2002, certamente Felipão seria crucificado, não porque o time teria jogado mal, não porque teria faltado entrosamento, mas pelo puro e simples fato de Romário não estar na equipe. Oito anos depois, a história se repete: se o Brasil não for bem na África do Sul, será única e exclusivamente pela não convocação de Ganso e Neymar. No entanto, como o Brasil venceu em 2002, o assunto Romário ficou em segundo plano, tanto quanto ficarão os nomes de Ganso e Neymar se o Brasil for campeão em 2010.

No fim das contas, seja o resultado o título ou a eliminação, o sucesso ou o fracasso, tudo recairá sobre o treinador da seleção brasileira, não sobre a imprensa. Seja bônus, seja ônus, o que vier pertencerá a Dunga. Ora, se a mídia não está (e certamente não está) disposta a dividir com o treinador o seu eventual fracasso, ele tem, até por reciprocidade, o direito de não desejar dividir com a mídia o seu eventual sucesso. Nada mais justo!

No próximo post, eu concluo essa reflexão e dou umas pinceladas sobre algumas (não todas) as convocações do técnico Dunga.

domingo, 25 de abril de 2010

E não é que os chamados pequenos engrossaram?!?!

Se alguém ainda achava que as finais dos campeonatos paulista e mineiro, os principais a envolver times da série A contra times da série B do Brasileirão, seriam favas contadas em favor das chamadas equipes de ponta, teve uma agradabilíssima surpresa, ao menos do ponto de vista de quem gosta de futebol de qualidade. É verdade que Atlético MG e Santos, os representantes da série A, saíram vencedores. Mas a derrota foi vendida a peso de ouro pelos adversários Ipatinga e Santo André, respectivamente. Aliás, até o placar foi o mesmo: 3x2, tanto para o Peixe como para o Galo.

Ipatingão

Na final mineira, embora o Atlético tenha sido superior ao Ipatinga durante a maior parte do jogo, o Tigre do Vale do Aço chegou algumas vezes com muito perigo ao gol adversário, fazendo até uma certa pressão em alguns momentos, com sequências de ataques muito bem articulados. Tanto que foi o Ipatinga o time a abrir o marcador, com mais uma demonstração de dificuldade da defesa do Atlético quando o assunto é a bola aérea. Jogada manjada, de cobrança de escanteio, mas a defesa do Galo caiu novamente.

O gol deu uma certa desarrmada no Atlético, que acabou reencontrando seu bom futebol depois de empatar a partida, graças a um pênalte desnecessário cometido pelo goleiro Douglas, do Tigre. No segundo tempo, o Galo começou pressionando e virou, mas o Ipatinga não se deu por vencido e correu atrás do empate, o que acabou se concretizando. Mas a tarde era do time de BH, que desempatou a partida e garantiu a vitória, ampliando a vantagem que já tinha para a decisão do campeonato mineiro (o Galo joga por dois empates ou vitória e derrota pelo mesmo placar). No jogo de volta, no Mineirão, no próximo domingo, o Ipatinga precisa vencer por dois gols de diferença para colocar a mão no título.

Pacaimbu

Já na final do Paulistão, o que se viu foi nitidamente um jogo de dois tempos, um para cada lado. Jogando com muita seriedade e muito bem postado em campo, o Santo André não só conseguiu neutralizar a afamada máquina de jogar futebol dos chamados Meninos da Vila, como chegou a assustar o Peixe logo no começo, quando perdeu dois gols que poderiam ter até mudado a história do jogo. No primeiro tempo, não se viu praticamente nada produzido por Neimar e Robinho. E assim o placar do primeiro tempo fez justiça ao melhor futebol apresentado pelo time do ABC Paulista, que abriu o marcador e foi para os vestiários vencendo a partida.

Mas o time da Vila Belmiro para fazer gols é como boiada na frente da porteira: se você abre a porteira para passar um boi, com certeza os outros vão passar também. Ou seja, não se pode levar o primeiro gol do Santos. E o Santo André, mesmo segurando bem o jogo, acabou sofrendo o primeiro gol, logo no início do segundo tempo. E onde passa um... isso meso! Passaram mais dois! E foi assim que o Santos, mesmo sem Neimar, que saiu no intervalo com dificuldades para enxergar por ter sofrido uma pancada no olho, mostrou sua superioridade e chegou aos 3x1. O time do ABC ainda reagiu e fez um segundo gol, mas a vantagem do Santos é a mesma do Atlético MG, ou seja, o Peixe só perde o título se for derrotado por dois gols de diferença no próximo jogo, que será também no Pacaimbu.

Expectativa

Mas o que os que gostam de futebol estão aguardando mesmo é o confronto dos dois melhores ataques deste início de temporada, exatamente o Santos e o Atlético MG. O primeiro, chegou a fazer dez gols num só jogo e venceu times conhecidos do grande público como o Guarani de Campinas por resultados impressionantes. No caso do Guarani, 8x1 no jogo de ida pela Copa do Brasil. Já o Galo chegou a fazer 12 gols em dois jogos na mesma semana, somados os resultados da Copa do Brasil e Campeonato Mineiro. Há mais um componente emocionante nessas oitavas de final da Copa do Brasil: Wanderley Luxemburgo, que não saiu bem quisto da Vila Belmiro pelos fracos resultados do Santos em 2009, certamente quer, e muito, vencer os meninos que, digamos, ele ajudou a criar. Fato é que esses 180 minutos de futebol entre o Galo e o Peixe, 90 nesta quarta-feira, às 21h50, no Mineirão, e os outros 90 na outra quarta-feira, na Vila Belmiro, têm tudo para figurar entre os jogos mais emocionantes do futebol brasileiro dos últimos tempos. Não nos iludamos: nem Santos nem Atlético são times espetaculares, mesmo o Santos sendo hoje um time de mais show do que o Atlético. Mas, se as duas equipes entrarem em campo mostrando o que sabem, respeitando a disciplina imposta por seus treinadores e jogarem sério, teremos realmente dois jogos espetaculares. Que assim seja!